Noticias

Inflação perde força em Belo Horizonte em junho, mas energia elétrica segue pesando no bolso do morador

IPCA da capital mineira avança 0,12% no mês, abaixo da média nacional, enquanto reajuste na conta de luz segue como principal pressão.

A inflação da Região Metropolitana de Belo Horizonte perdeu força em junho e surpreendeu positivamente o mercado financeiro. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os preços na região avançaram 0,12% no mês, uma desaceleração em relação aos 0,34% registrados em maio e um resultado abaixo da média nacional, que ficou em 0,16%.

Queda nos alimentos ajudou a conter a inflação

O principal fator para essa desaceleração foi a queda de 0,89% no grupo Alimentação e Bebidas, puxada principalmente pelo recuo nos preços das frutas, que caíram 6,1%, e dos legumes, com redução de 3,52%. Esse tipo de variação costuma refletir a sazonalidade da safra agrícola na região, já que determinados alimentos ficam mais baratos em períodos específicos do ano, aliviando parte da pressão sobre o orçamento das famílias.

Conta de luz continua pressionando o custo de vida

Apesar da queda nos alimentos, o grupo Habitação seguiu como destaque negativo, com alta de 1,27% no mês, impulsionado principalmente pelo reajuste da tarifa de energia elétrica residencial. Esse aumento específico impediu que a inflação da Grande BH ficasse ainda mais baixa em junho, mostrando como o custo da energia elétrica segue sendo um dos itens mais sensíveis no orçamento doméstico dos moradores da capital mineira.

Reajuste tarifário mantém impacto ao longo do semestre

Esse reajuste na conta de luz não é um fenômeno isolado. Levantamentos anteriores do próprio IBGE já apontavam a energia elétrica residencial como um dos principais vetores de pressão inflacionária em Belo Horizonte ao longo do primeiro semestre de 2026, refletindo a incorporação de um reajuste tarifário de 5,21% na cidade, com vigência a partir de 28 de maio. Esse tipo de ajuste tarifário costuma ser definido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelas concessionárias locais, sem relação direta com o comportamento geral dos preços de mercado.

Inflação acumulada segue acima de 3% no ano

Olhando para o acumulado do primeiro semestre, a inflação em Belo Horizonte chegou a 3,24%, um resultado que, embora mais contido do que em outras regiões metropolitanas do país, ainda representa uma pressão relevante sobre o poder de compra da população. Para o consumidor, esse tipo de dado ajuda a entender por que, mesmo em meses de desaceleração pontual, o custo de vida na capital mineira segue em trajetória de alta ao longo do ano.

Bandeira tarifária também influenciou os preços

Vale destacar que a bandeira tarifária amarela, em vigor durante parte do período analisado, também contribuiu para pressionar o custo da energia elétrica em diferentes regiões metropolitanas do país, incluindo Belo Horizonte. Esse mecanismo de cobrança adicional, aplicado conforme as condições dos reservatórios de água usados na geração de energia, costuma ser um fator recorrente de instabilidade nos preços de eletricidade ao longo do ano.

Famílias sentem efeitos distintos no orçamento

Para as famílias da Grande BH, a combinação entre alimentos mais baratos e energia mais cara ilustra bem a complexidade de acompanhar a inflação no dia a dia, já que a percepção de alívio no supermercado pode ser parcialmente anulada pelo aumento na conta de luz recebida no mesmo período. Esse tipo de descompasso entre diferentes grupos de consumo tende a se repetir ao longo do ano, dependendo da sazonalidade dos alimentos e dos ciclos de reajuste tarifário do setor elétrico.

Próximos meses seguem sob monitoramento

Para os próximos meses, o comportamento da inflação em Belo Horizonte deve continuar sendo influenciado por esses dois fatores, alimentos e energia, além de outros itens sensíveis como combustíveis e serviços. O acompanhamento dos próximos boletins do IBGE deve mostrar se a desaceleração observada em junho se mantém ou se a cidade volta a registrar uma alta mais expressiva nos preços ao consumidor ao longo do segundo semestre de 2026.

Fonte:
https://diariodocomercio.com.br/economia/inflacao-perde-forca-belo-horizonte-sobe-semestre/