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Neurodiversidade no trabalho: Por que empresas que ignoram isso estão perdendo talentos? Saiba mais com Alexandre Costa Pedrosa

Alexandre Costa Pedrosa
Alexandre Costa Pedrosa

De acordo com o empresário Alexandre Costa Pedrosa, o mercado de trabalho global está passando por uma transformação silenciosa, mas de enormes proporções. À medida que o discurso sobre diversidade e inclusão ganha maturidade nas organizações, uma dimensão ainda pouco explorada começa a emergir com força: a neurodiversidade. Funcionários com TDAH, autismo, dislexia, síndrome de Tourette e outras condições neurológicas representam uma parcela significativa da força de trabalho ativa, mas continuam sendo sistematicamente subaproveitados, mal compreendidos ou simplesmente excluídos por processos seletivos e culturas organizacionais que não foram desenhados para eles. 

Por que a neurodiversidade ainda é invisível dentro das empresas?

 

A maior parte das políticas de diversidade e inclusão corporativas concentra seus esforços em recortes como gênero, raça, orientação sexual e deficiência física. A neurodiversidade, quando aparece, costuma ser tratada como subcategoria da deficiência, o que já é uma distorção conceitual relevante. Neurodivergência não é sinônimo de incapacidade: é uma variação cognitiva que implica diferenças no processamento de informação, nas habilidades sociais, na atenção e na regulação emocional, mas que frequentemente vem acompanhada de capacidades excepcionais em determinadas áreas.

 

A invisibilidade do tema no ambiente corporativo tem raízes na própria dinâmica do diagnóstico. Muitos profissionais neurodivergentes chegam ao mercado de trabalho sem diagnóstico formal, o que os impede de solicitar adaptações razoáveis ou de comunicar suas necessidades com clareza. Outros têm diagnóstico, mas o escondem por medo de estigma, de perder oportunidades ou de ser tratados de forma paternalista. Como destaca Alexandre Costa Pedrosa, esse silêncio é prejudicial para o trabalhador e para a empresa, que perde a chance de ajustar o ambiente e as demandas de forma a maximizar o desempenho desse profissional.

Alexandre Costa Pedrosa
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Quais são os custos reais de ignorar profissionais neurodivergentes?

 

Conforme o empresário Alexandre Costa Pedrosa, o custo mais óbvio é a perda de talentos. Estudos de grandes consultorias internacionais já demonstraram que determinadas condições neurodivergentes estão associadas a capacidades cognitivas que são extremamente valorizadas no mercado: hiperfoco e atenção a detalhes em pessoas com TDAH quando engajadas em algo de seu interesse, reconhecimento de padrões e pensamento sistemático em pessoas no espectro autista, criatividade e pensamento associativo em disléxicos. Empresas que eliminam esses profissionais nas primeiras fases do processo seletivo simplesmente porque eles não se encaixam no perfil comportamental esperado estão descartando vantagens competitivas reais.

 

O segundo custo é o do turnover. Profissionais neurodivergentes que ingressam em empresas sem ambientes adaptados tendem a ter trajetórias marcadas por conflitos, mal-entendidos, advertências por comportamentos que, na verdade, refletem suas diferenças neurológicas, e demissões evitáveis. O custo de substituir um funcionário, considerando recrutamento, treinamento e perda de produtividade durante a curva de aprendizado, pode chegar a valores muito superiores ao custo de simplesmente adaptar o ambiente de trabalho às necessidades desse profissional desde o início.

 

Segundo Alexandre Costa Pedrosa, há ainda um custo menos visível, mas igualmente importante: o custo do desperdício de esforço. Profissionais neurodivergentes não diagnosticados ou não apoiados frequentemente gastam uma quantidade desproporcional de energia simplesmente tentando parecer neurotípicos. Esse esforço constante de masking no trabalho, de disfarçar as próprias dificuldades e de corresponder a expectativas comportamentais que não foram feitas para sua forma de funcionar, é uma das principais causas de burnout severo nessa população. Quando esse profissional entra em colapso, a empresa perde não só a produtividade imediata, mas um ativo que poderia ter sido preservado com ajustes simples.

Como empresas de referência estão transformando a neurodiversidade em diferencial?

 

Organizações como SAP, Microsoft, EY e JPMorgan Chase desenvolveram programas estruturados para recrutar, contratar e reter profissionais neurodivergentes, especialmente pessoas no espectro autista e com TDAH. Esses programas modificam o processo seletivo, substituindo entrevistas convencionais por avaliações baseadas em tarefas práticas, oferecem períodos de integração mais longos e personalizados, e designam mentores internos para apoiar a adaptação do novo colaborador. Os resultados reportados por essas empresas incluem menor turnover, maior engajamento e alta performance técnica nas equipes compostas por profissionais neurodivergentes.

 

Como pontua Alexandre Costa Pedrosa, as adaptações de ambiente não precisam ser caras nem complexas. Fones de ouvido para redução de ruído, opção de trabalho remoto ou híbrido, comunicações escritas em vez de reuniões longas, instruções detalhadas e claras para as tarefas, e flexibilidade no horário de trabalho são medidas de baixo custo e alto impacto. O que essas adaptações fazem é remover as barreiras que impedem esses profissionais de mostrar o que são capazes, não criar vantagens injustas em relação aos outros.

 

Por fim, Alexandre Costa Pedrosa frisa que a liderança tem um papel central nessa transformação. Gestores treinados para reconhecer e valorizar diferentes estilos cognitivos criam ambientes mais psicologicamente seguros para todos, não apenas para os neurodivergentes. Uma cultura que aceita diferentes formas de comunicar, de organizar o trabalho e de resolver problemas tende a ser mais inovadora, mais resistente a crises e mais atrativa para os melhores talentos do mercado. A neurodiversidade, portanto, não é um tema de compliance nem de responsabilidade social: é uma alavanca de desempenho organizacional que as empresas mais inteligentes já entenderam como usar.

 

Autor: Diego Rodríguez Velázquez