A parceria entre a Prefeitura de Belo Horizonte e o banco de desenvolvimento visa reduzir subsídios, tornar tarifas mais sustentáveis e melhorar a qualidade do serviço antes da renovação dos contratos em 2028.
Há uma negociação em curso em Belo Horizonte que vai afetar diretamente a vida de quase um milhão de pessoas, mas que passa despercebida pela maioria delas. A Prefeitura Municipal firmou parceria com o BNDES para reformular completamente o modelo de concessão do transporte público na cidade, dentro de um projeto chamado Transformador Mobilidade para Todos. O objetivo é preparar o terreno para os novos contratos que vencem em 2028.
O que está em jogo não é pouca coisa. O sistema de transporte coletivo de BH atende atualmente cerca de 950 mil passageiros por dia, segundo dados da gestão municipal. Para manter esse volume funcionando, a Prefeitura gasta volumes significativos em subsídios para as operadoras. A proposta da parceria com o BNDES é justamente reduzir essa dependência de recursos públicos, tornando o sistema mais eficiente e, se tudo correr bem, com tarifas menos pressionadas para o usuário final.
Mas como uma reformulação de modelo de concessão se traduz no dia a dia de quem espera o ônibus na chuva? Essa é a pergunta que mais interessa ao belo-horizontino.
Por que a concessão atual precisa ser reformulada
O modelo atual de concessão do transporte público em BH tem raízes em contratos que já mostram sinais de esgotamento. Quando os contratos foram desenhados, a cidade tinha um perfil diferente, as demandas eram outras e a tecnologia disponível para gestão de frotas era mais limitada. Com o passar dos anos, o sistema passou a demandar subsídios crescentes da Prefeitura para manter a operação viável, o que compromete o orçamento municipal em recursos que poderiam ir para outras áreas, como saúde e educação.
A parceria com o BNDES visa justamente realizar o diagnóstico completo desse sistema, modelar um novo formato de concessão e preparar a licitação que vai definir quem vai operar o transporte de BH a partir de 2028. A lógica é que um processo bem estruturado atrai operadoras mais competitivas, que ofereçam melhor serviço com menor custo para os cofres públicos.
Para o usuário, um sistema que gasta menos em subsídios por passageiro é um sistema que tem mais margem para investir em qualidade. A ideia não é necessariamente baratear a tarifa de forma imediata, mas garantir que o dinheiro público investido no transporte gere melhores resultados.
O projeto Transformador e o que ele prevê para o corredor Amazonas
Um dos desdobramentos mais concretos dessa reorganização é a consulta pública aberta pela Prefeitura para discutir obras de mobilidade na Região Oeste de BH. Entre os projetos previstos está a construção do Terminal de Integração do MOVE Amazonas, considerado estratégico para o futuro BRT Amazonas. A Prefeitura manteve o formulário de participação disponível até o dia 8 de junho, segundo informações do Diário do Transporte.
O Terminal MOVE Amazonas tem como objetivo ampliar a capacidade operacional do transporte no corredor da Avenida Amazonas e melhorar a ligação entre a Região Oeste e o centro da cidade. Também estão previstas estações de transferência do BRT na Área Hospitalar, obras de requalificação urbana no Barro Preto e novos bolsões de caminhada ao longo da avenida.
Esse pacote de obras é financiado por uma parceria com o Banco Mundial no valor de 100 milhões de dólares, dentro do Programa de Mobilidade e Inclusão Urbana. O programa prevê benefícios para 835 mil passageiros diários do transporte público e inclui obras de urbanização na Cabana Pai Tomás.
O que o morador de BH precisa saber antes de 2028
O calendário de 2028 pode parecer distante, mas as decisões que estão sendo tomadas agora definem como o transporte público vai funcionar por décadas. É o tipo de política pública que raramente aparece nas manchetes, mas que determina quanto tempo o belo-horizontino gasta no trajeto casa-trabalho-casa todo dia.
A nova concessão vai estabelecer metas de desempenho para as operadoras, sistemas de monitoramento em tempo real das linhas e critérios ambientais, como a renovação de frotas para veículos menos poluentes. São aspectos que hoje estão mais na promessa do que na prática, mas que têm tudo para ser exigidos nos novos contratos.
Para acompanhar o andamento do processo, o cidadão pode acessar as informações da Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana pelo portal prefeitura.pbh.gov.br/mobilidade-urbana. Participar das consultas públicas, quando abertas, é também uma forma concreta de influenciar o desenho do sistema que vai atender a cidade nos próximos anos.
Fontes: Diário do Transporte | Prefeitura de Belo Horizonte | O Tempo










