Politica

Indefinição marca corrida ao governo de Minas às vésperas das convenções partidárias

Ao menos seis partidos já têm pré-candidaturas ao Palácio Tiradentes, mas nomes de peso ainda não confirmaram disputa

A poucos dias do início das convenções partidárias, marcadas para 20 de julho, a disputa pelo governo de Minas Gerais em 2026 segue indefinida. Ao menos seis partidos já apresentaram pré-candidaturas ao Palácio Tiradentes, mas nomes considerados decisivos para o desenho final da corrida ainda não confirmaram publicamente suas posições. Para o eleitor mineiro, a principal dúvida neste momento é entender quais legendas já têm candidatura fechada e quais ainda dependem de decisões de última hora que podem mudar o tabuleiro eleitoral do estado.

Quem já está definido na disputa pelo governo mineiro

No campo político mais à direita, o governador Mateus Simões, do partido Novo, desponta como principal nome na sucessão estadual, na condição de herdeiro político do atual governador Romeu Zema. O campo conservador conta ainda com a pré-candidatura do influenciador digital Ben Mendes, lançado pelo partido Missão, ampliando a disputa dentro desse espectro ideológico. Já no centro do tabuleiro político, dois nomes se destacam, o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, do PDT, que retorna à disputa depois de ter sido derrotado por Romeu Zema em 2022, e o estreante Gabriel Azevedo, do MDB, que chegou a participar de eventos públicos ao lado de outras pré-candidaturas em cidades do interior do estado, como Montes Claros.

Do lado bolsonarista, o nome mais cotado para encabeçar o palanque de direita ligado ao ex-presidente é o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, que segue adiando o anúncio de sua decisão. Inicialmente, o senador havia dito que se posicionaria após o fim da Copa do Mundo, em 19 de julho, véspera do início das convenções partidárias, mas voltou a postergar o anúncio durante discurso no plenário do Senado, sinalizando que pode esperar até o último dia do prazo legal para confirmar sua candidatura ou eventual apoio a outro nome do campo conservador.

Os desafios do PT e do PL para viabilizar candidaturas próprias

No campo petista, a definição de um nome de peso para a disputa estadual tem sido especialmente conturbada. A tentativa do presidente Lula de convencer a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos, a disputar o governo estadual não avançou, o que levou o partido a buscar alternativas dentro de sua própria base. Entre os nomes ainda em discussão estão a ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais, Sandra Goulart, recém-filiada à legenda, além de outras lideranças ligadas historicamente ao PT mineiro. A busca por um nome competitivo reflete a importância estratégica de Minas Gerais para o projeto nacional do partido, já que, desde a eleição presidencial de 1950, nenhum presidente da República foi eleito sem conquistar a maioria dos votos dos eleitores mineiros.

O campo bolsonarista, representado principalmente pelo PL, também enfrenta dificuldades para consolidar uma candidatura própria e forte no estado, dependendo em grande parte da decisão ainda pendente do senador Cleitinho Azevedo. Historicamente, Minas Gerais costuma chegar às urnas com um número elevado de candidaturas ao governo estadual, entre sete e dez postulantes nas últimas eleições, sendo dez candidatos em 2022, nove em 2018 e sete em 2014. Esse histórico de pulverização eleitoral tende a se repetir em 2026, dado o número já elevado de pré-candidaturas anunciadas mesmo antes do fechamento oficial das convenções partidárias.

Disputa paralela na Assembleia Legislativa e o caso do acervo do Palácio das Mangabeiras

Enquanto a corrida ao governo estadual ainda se desenha, a Assembleia Legislativa de Minas Gerais também vive capítulos de disputa política em torno de temas específicos da gestão estadual. Um exemplo recente é a polêmica em torno do paradeiro do acervo histórico do Palácio das Mangabeiras, antiga residência oficial dos governadores mineiros, projetada por Oscar Niemeyer e com jardins assinados por Roberto Burle Marx. A Comissão de Cultura da ALMG realizou audiência pública para cobrar explicações do governo estadual sobre o destino de móveis, talheres, pratarias e obras de arte que estariam desaparecidos do local, segundo o deputado estadual Leleco Pimentel, do PT, autor do requerimento para o debate.

O governo estadual nega qualquer irregularidade na gestão do acervo, e o governador Mateus Simões afirmou publicamente que os itens de maior relevância estão preservados e redistribuídos por repartições públicas de Minas Gerais. Parte dos bens já teve o paradeiro esclarecido publicamente, como um biombo histórico assinado pelo artista Di Cavalcanti, datado de 1952, transferido para o Palácio da Liberdade, sede do governo estadual. O episódio ilustra como disputas políticas em torno de temas simbólicos, ligados à história e ao patrimônio cultural mineiro, também ganham espaço na Assembleia Legislativa em ano eleitoral.

Com as convenções partidárias marcadas para o dia 20 de julho, o quadro eleitoral de Minas Gerais deve começar a se definir de forma mais clara nas próximas semanas. Até lá, a expectativa é que o senador Cleitinho Azevedo confirme sua posição no campo bolsonarista, enquanto PT e demais legendas seguem articulando alternativas para viabilizar candidaturas competitivas no estado que, historicamente, tem papel decisivo nas eleições presidenciais brasileiras.

Fontes: Estado de Minas, O Tempo, ALMG