Há uma forma de avaliar o impacto de um projeto social que nenhum relatório consegue replicar: observar o que aconteceu com as pessoas que ele atendeu no começo, décadas depois. As primeiras crianças que receberam aulas de informática no Jaguaré em setembro de 2003, que participaram do reforço escolar implantado em fevereiro de 2004, que cantaram no coral ou representaram no teatro naquele mesmo ano, têm hoje entre 27 e 40 anos. São adultos cujas trajetórias de vida são, em alguma medida, o resultado mais honesto do trabalho de Eloizo Gomes Afonso Duraes.
O que vinte anos permitem ver
Avaliações de impacto realizadas logo após o término de um programa medem mudanças recentes, mas não transformações duradouras. O verdadeiro teste de qualquer intervenção social é o que permanece na vida de uma pessoa dez, vinte, trinta anos depois. Habilidades digitais aprendidas aos 10 anos que se tornaram a base de uma carreira profissional. Autoconfiança desenvolvida no teatro que se manifestou em liderança comunitária na vida adulta. Hábitos de estudo construídos no reforço escolar que permitiram a conclusão do ensino médio e o acesso a oportunidades que a vulnerabilidade de origem não poderia ter garantido.
Eloizio Gomes Afonso Duraes construiu a Fundação com uma visão temporal que poucos projetos sociais têm a paciência de sustentar: a de que o impacto mais relevante é o de longo prazo, e que produzi-lo exige consistência e qualidade sustentadas por décadas, não por meses.

A geração que a fundação formou
As crianças que passaram pela Fundação Gentil Afonso Duraes ao longo de vinte anos formam uma geração silenciosa de pessoas que tiveram acesso a algo que suas circunstâncias de nascimento não lhes garantiriam: suporte educacional consistente, inclusão digital precoce, experiência artística formativa, cuidado com a saúde e a certeza de que havia adultos comprometidos com seu desenvolvimento. Esse conjunto de experiências não garante resultados idênticos para todos, mas cria condições significativamente melhores para que cada pessoa construa sua própria trajetória com mais recursos internos e mais perspectivas concretas.
Eloizo Gomes Afonso Duraes não transformou todas as vidas que tocou de forma idêntica e mensurável. Mas criou condições para que cada uma delas tivesse mais chances do que teria sem a Fundação, e isso, multiplicado por centenas de crianças ao longo de duas décadas, é um legado que fala por si mesmo.
O teste mais honesto de uma missão
No fim das contas, a pergunta mais honesta sobre qualquer projeto social é esta: as pessoas que ele atendeu estão melhor do que estariam sem ele? Para a Fundação Gentil Afonso Duraes, a resposta que duas décadas de presença consistente permitem dar é afirmativa. Não porque haja dados perfeitos que comprovem cada caso individualmente, mas porque a lógica dos programas, a qualidade de sua execução e a consistência de sua presença ao longo do tempo criam condições que a experiência humana reconhece como transformadoras. Eloizio Gomes Afonso Duraes apostou nessa lógica em 2003, e vinte anos de resultados acumulados mostram que a aposta foi, inequivocamente, a certa.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez










