Noticias

Quais são os impactos das certificações internacionais na segurança de executivos no Brasil?

Ernesto Kenji Igarashi
Ernesto Kenji Igarashi

O cenário corporativo brasileiro vive uma transformação silenciosa, mas decisiva, na forma como contrata profissionais de proteção. Ernesto Kenji Igarashi explica que empresas e órgãos públicos deixaram de tratar a segurança pessoal como um serviço de confiança informal e passaram a exigir, cada vez com mais frequência, comprovação técnica internacionalmente reconhecida antes de fechar qualquer contrato.

Esse movimento não surge isoladamente. Ele acompanha a sofisticação dos riscos enfrentados por lideranças empresariais, autoridades públicas e famílias de alto patrimônio, sequestros relâmpago, ameaças digitais combinadas com vigilância física, exposição em viagens internacionais e eventos de grande visibilidade. A certificação deixou de ser um diferencial estético no currículo e passou a funcionar como um filtro de governança, usado por departamentos jurídicos e de compliance para validar fornecedores de proteção executiva.

Quais certificações internacionais realmente têm peso no setor?

O mercado de proteção executiva reconhece, hoje, um conjunto relativamente restrito de certificações com lastro técnico consolidado. A certificação CPP (Certified Protection Professional), concedida pela ASIS International, segue como uma das mais respeitadas globalmente para profissionais que atuam na gestão estratégica de segurança corporativa, contemplando planejamento de riscos, investigação e resposta a crises. Já o PSP (Physical Security Professional), da mesma entidade, foca especificamente em segurança física e proteção patrimonial, sendo bastante valorizado por empresas com operações sensíveis.

Ernesto Kenji Igarashi elucida que, no universo específico de proteção de pessoas, certificações ligadas a associações internacionais de seguranças e especialistas em proteção próxima, como as oferecidas pela IBSSA (International Bodyguard and Security Services Association), além de cursos avançados de instituições norte-americanas voltadas a executive protection, costumam compor o portfólio de profissionais que atuam diretamente ao lado de autoridades e dignatários. 

Confundir certificado com competência operacional

Um dos equívocos mais frequentes no mercado brasileiro é tratar a certificação como um fim em si mesma, e não como parte de um processo contínuo de qualificação. Contratantes inexperientes costumam avaliar apenas se o profissional “tem um certificado internacional”, sem verificar a carga horária, a instituição emissora, a validade do selo ou se há exigência de reciclagem periódica, prática padrão entre certificações sérias, que costumam exigir renovação a cada poucos anos mediante comprovação de educação continuada.

Ernesto Kenji Igarashi
Ernesto Kenji Igarashi

Esse descuido abre espaço para cursos de curtíssima duração, sem reconhecimento internacional efetivo, que emitem certificados com nomenclatura semelhante a credenciais legítimas, mas sem o rigor técnico correspondente. A diferenciação entre formação consistente e selo decorativo passou a ser, segundo Ernesto Kenji Igarashi, um dos principais pontos de atenção para empresas que buscam reduzir vulnerabilidades em suas estruturas de proteção, já que uma equipe mal preparada representa risco tão grande quanto a ausência completa de segurança.

Como a certificação se tornou critério de contrato, não apenas de currículo?

A exigência de certificação avançou de tal forma que hoje compõe cláusulas contratuais específicas em editais de segurança privada para grandes eventos, contratos com órgãos públicos e processos de seleção de equipes de proteção para lideranças corporativas. Departamentos de compliance frequentemente solicitam, como condição prévia à contratação, a comprovação de certificações válidas de toda a equipe operacional, incluindo coordenadores e supervisores, não apenas dos agentes em campo.

Como considera Ernesto Kenji Igarashi, esse movimento também reflete uma mudança cultural mais profunda: a segurança pessoal deixou de ser vista como custo operacional isolado e passou a ser tratada como componente estratégico de governança corporativa, sujeito a auditoria, métricas de desempenho e indicadores de risco. A profissionalização da proteção executiva, portanto, acompanha a maturidade da própria gestão de riscos nas organizações, que já não tolera improviso em funções diretamente ligadas à integridade física de seus líderes.

O futuro da proteção pessoal pertence a quem investe em formação contínua

À medida que o setor de segurança avança rumo a um modelo cada vez mais técnico, orientado por dados, inteligência preditiva e protocolos internacionais, a certificação deixa de ser apenas um diferencial individual e passa a integrar a própria identidade institucional das equipes de proteção executiva. 

Organizações que pretendem se manter relevantes nesse mercado (e atrair contratos de maior porte e complexidade) precisarão tratar a capacitação contínua como pilar estrutural, e não como investimento pontual.

Como resume Ernesto Kenji Igarashi, esse é justamente o ponto de inflexão que separa equipes de alta performance de operações improvisadas: a capacidade de comprovar, de forma consistente e atualizada, o domínio técnico exigido pelos cenários de risco mais sofisticados da atualidade. 

Autor: Diego Rodríguez Velázquez