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Perda gestacional: Taiza Tosatt Eleoterio mostra como acolher um luto muitas vezes invisível

Taiza Tosatt Eleoterio
Taiza Tosatt Eleoterio

Como ressalta a psicanalista Taiza Tosatt Eleoterio, a perda gestacional é um luto real, mesmo quando as pessoas ao redor não sabem como reconhecê-lo. Quem passa por essa experiência perde um bebê e, junto com ele, planos, expectativas e uma história que já começava a ser imaginada. Como a dor costuma ser vivida em silêncio, muitas mulheres e famílias se sentem sozinhas no momento em que mais precisam de apoio. Entender como esse luto funciona ajuda a oferecer um acolhimento mais cuidadoso e menos apressado.

Um luto que nem sempre é reconhecido

Em geral, a sociedade tem rituais e palavras para despedidas que são visíveis, como um velório ou uma cerimônia. Na perda gestacional, nada disso costuma existir. Muitas vezes, poucas pessoas sabiam da gravidez, e o luto passa a ser vivido sem plateia, sem despedida e sem um lugar claro para expressar a tristeza.

Essa ausência de reconhecimento, nota Taiza Tosatt Eleoterio, torna o sofrimento ainda mais pesado. Quando a dor não é nomeada, quem a sente pode duvidar da própria reação e se perguntar se tem o direito de estar tão abalada. A resposta da psicanálise é que o vínculo com o bebê começa muito antes do nascimento, e perdê-lo merece ser sentido.

O que a perda pode despertar emocionalmente?

Cada pessoa vive a perda de um jeito. Algumas sentem tristeza profunda, outras ficam em silêncio ou parecem seguir a rotina como se nada tivesse acontecido. Também podem surgir culpa, raiva, inveja de quem está grávida, medo de uma nova gestação e sensação de vazio. Todas essas reações fazem parte do processo de luto e não indicam fraqueza.

A culpa merece atenção especial. É comum que a pessoa procure explicações, revisite hábitos e pense no que poderia ter feito diferente. Taiza Tosatt Eleoterio sinaliza que essa busca por um motivo é uma tentativa de dar sentido ao que aconteceu, mas pode se transformar em autoacusação. Ouvir sem julgar ajuda a aliviar esse peso.

Frases bem-intencionadas que machucam

Quem está em volta costuma querer ajudar, mas nem sempre sabe como. Por isso, surgem frases como “foi melhor assim”, “ainda é cedo para sofrer” ou “você pode tentar de novo”. Ditas com boa intenção, elas costumam minimizar a dor e transmitir a ideia de que a pessoa deveria se recuperar logo.

Em vez de tentar consertar o sentimento, o acolhimento começa por reconhecê-lo. Dizer “sinto muito” e ficar disponível para ouvir, quando a pessoa quiser falar, costuma ser mais valioso do que qualquer explicação. Também é importante respeitar o silêncio de quem prefere não conversar, sem cobrar uma reação específica.

O papel da família e da rede de apoio

A família e a rede de apoio têm um papel importante nesse momento. Companheiros, mães, amigas e vizinhos podem ajudar com gestos simples, como preparar uma refeição, assumir tarefas da casa ou apenas fazer companhia. Esses cuidados práticos liberam energia para que a pessoa viva o luto sem se sobrecarregar.

Taiza Tosatt Eleoterio lembra que o parceiro também merece atenção, já que muitas vezes ele vive a perda em silêncio, acreditando que precisa ser forte para sustentar a família. Quando cada um reconhece a dor do outro, o luto deixa de ser uma experiência isolada e passa a ser compartilhado, o que fortalece o vínculo do casal e da família.

Quando buscar acompanhamento psicológico

O luto não segue um calendário. Há quem se sinta melhor em poucas semanas e quem precise de mais tempo. Buscar acompanhamento psicológico é uma forma de cuidado, especialmente quando a tristeza parece não diminuir, quando o sofrimento interfere no sono, na alimentação ou nas relações, ou quando a pessoa sente que não consegue falar sobre o assunto com ninguém.

Na escuta terapêutica, a pessoa encontra um espaço para falar do bebê, da perda e de tudo o que ela representou, sem pressa e sem julgamento. Taiza Tosatt Eleoterio pondera que o objetivo não é apagar a dor, e sim ajudar a pessoa a conviver com ela de um jeito que permita seguir em frente sem esquecer o que foi vivido.

Dar espaço para a dor ser vivida

A perda gestacional pede tempo, escuta e respeito. Ela não deve ser comparada com outras perdas nem medida pelo tempo de gestação, porque cada história tem um significado único para quem a viveu.

Taiza Tosatt Eleoterio destaca que acolher esse luto é permitir que a dor exista sem pressa. Quando a família, a comunidade e os profissionais reconhecem essa experiência, quem sofre se sente menos sozinha e mais segura para atravessar o processo no tempo que for necessário.