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Agro mineiro bate recorde histórico e passa a responder por quase um quarto da economia de Minas

Setor chegou a R$ 279 bilhões em 2025 e cresce pelo terceiro ano seguido, mas produtores alertam para riscos no crédito rural da próxima safra

O agronegócio de Minas Gerais fechou 2025 com um resultado que reforça sua condição de motor da economia estadual. O setor registrou Produto Interno Bruto de R$ 279 bilhões, o maior valor da série histórica iniciada em 2010, equivalente a 24,1% de toda a riqueza produzida pelo estado. O dado foi apresentado durante a abertura da Expomontes, em Montes Claros, e confirma três anos consecutivos de recordes. Para quem acompanha o campo mineiro, a dúvida natural é entender o que sustenta esse crescimento e se ele deve continuar em 2026. A resposta passa por dois movimentos combinados, a valorização dos produtos agrícolas e o aumento real do volume produzido, além de mudanças estruturais na forma como a produção primária se conecta à indústria dentro do estado.

O que explica o salto de 24,1% na economia mineira

O crescimento nominal de R$ 42,6 bilhões em relação a 2024 não decorre apenas da alta de preços. Segundo levantamento apresentado pelo Sistema Faemg Senar em parceria com a Fundação João Pinheiro, a valorização dos produtos do setor avançou 16% no período, enquanto o volume físico produzido cresceu 1,7% em termos reais. Ainda que os preços expliquem boa parte do resultado, o desempenho da produção também superou a média da economia mineira, o que indica ganho de eficiência e não apenas conjuntura favorável de mercado. Há uma década, a participação do agro no PIB estadual girava em torno de 20%, e o salto para 24,1% mostra que o setor deixou de ser apenas um pilar tradicional para se tornar o principal amortecedor da economia mineira em períodos de instabilidade em outras áreas.

Outro dado relevante veio da atualização da matriz de insumo-produto do estado, que mostrou a participação da produção primária dentro do complexo agroindustrial saltando de 12,7% para 22,5%. Isso significa que Minas está processando e agregando valor a uma fatia maior da própria produção agrícola, em vez de simplesmente exportar matéria-prima. Mais de 60% dos municípios mineiros têm a agropecuária e as atividades florestais entre suas principais fontes de emprego e renda, o que espalha o efeito desse crescimento por regiões que vão do Triângulo Mineiro ao Norte do estado. A cadeia florestal, por exemplo, já soma mais de 110 códigos de produtos comercializados mensalmente e presença em mais de 810 municípios mineiros.

Como estão as lavouras e os preços no meio da safra 2025/26

Enquanto os números fechados de 2025 chegam à imprensa, o campo já trabalha na safra seguinte. Segundo o 10º Levantamento da Safra 2025/26 da Companhia Nacional de Abastecimento, Minas Gerais caminha para uma produção de grãos 3,6% maior, somando 19,06 milhões de toneladas, puxada principalmente pelo milho, com alta de 9,8%. O incremento resulta de uma área plantada 2% superior e de um avanço de 1,6% na produtividade média. O clima, no entanto, não colaborou de forma uniforme, já que o veranico registrado em abril e maio prejudicou parte das lavouras antes que as chuvas de junho chegassem, tarde demais para reverter as perdas em algumas regiões.

No mercado físico, os preços das commodities mineiras seguem voláteis. O feijão, negociado a R$ 352,50 a saca em meados de julho, acumula alta de 58% no ano, embora tenha recuado 6,44% no último mês. Já a soja opera em leve alta recente, cotada a R$ 127,70 a saca de 60 quilos nas praças de Uberlândia e Uberaba, com ganho de 7,58% no último mês apesar de leve queda no acumulado anual. O café, por sua vez, negociado a R$ 1.848 a saca em Guaxupé, avançou quase 21% em um mês, mas ainda acumula perdas de 19% no ano. Esse cenário de preços mistos ajuda a explicar por que lideranças do setor, como o presidente do Sistema Faemg Senar, têm cobrado atenção ao crédito rural, já que juros mais altos e menor oferta de recursos subsidiados podem comprometer o financiamento da safra 2026/2027 para produtores já endividados.

Exportações, floresta e o desafio de agregar valor dentro de Minas

Além do mercado interno, o agro mineiro também avançou nas exportações. Levantamentos do Sistema Faemg apontam recorde histórico de vendas externas do agronegócio estadual, com o café respondendo por mais da metade da receita, seguido por soja, açúcar e carnes. O comércio entre Minas e a China também cresceu, com exportações avançando 8% e somando cerca de US$ 8 bilhões apenas no primeiro semestre de 2026, segundo dados publicados pelo Diário do Comércio. Esse fluxo comercial reforça a relevância do estado no cenário nacional, mas também expõe o setor a oscilações internacionais de câmbio e de tarifas.

O setor florestal mineiro, por sua vez, ganha protagonismo como uma das frentes de diversificação da economia rural, especialmente nas regiões Norte, Jequitinhonha e Central Mineira. Minas dispõe de mais de 3 milhões de hectares de áreas degradadas ou de baixa produtividade com potencial para integração agrossilvipastoril, o que permite ao estado ampliar a produção florestal sem abrir novas fronteiras sobre a vegetação nativa. Para especialistas do setor, esse é o caminho para equilibrar ganho ambiental com retorno financeiro, especialmente para pequenos e médios produtores que buscam diversificar renda em regiões historicamente mais pobres do estado.

Diante desse cenário, o desafio de Minas Gerais deixou de ser provar a relevância do seu agronegócio e passou a ser outro, ampliar a agregação de valor dentro do próprio estado e distribuir de forma mais equilibrada os benefícios desse crescimento entre as diferentes regiões mineiras. Os próximos meses serão decisivos para saber se o crédito rural mais restrito vai frear o ritmo de investimentos ou se o setor conseguirá manter a trajetória de recordes que já dura três anos consecutivos.

Fontes: Diário do Comércio, Diário do Comércio – safra Conab, O Tempo, Jornal Mantiqueira, Sistema Faemg