Tecnologia

Belo Horizonte é eleita a startup em ascensão que mais cresce na América Latina

Capital mineira lidera ranking regional da Dealroom.co e recebe Minas Summit com mais de 11 mil participantes

Belo Horizonte consolidou em 2026 sua posição de destaque no mapa da inovação brasileira. Segundo o Global Tech Ecosystem Index 2025, elaborado pela plataforma internacional Dealroom.co, a capital mineira foi apontada como o quarto ecossistema de tecnologia que mais cresce no mundo e o primeiro da América Latina na categoria Rising Stars, que avalia métricas como crescimento no valor de mercado das empresas, volume de startups em expansão e maturidade de fundos de investimento locais. Para quem acompanha o setor de tecnologia na cidade, a dúvida mais comum é entender o que sustenta esse crescimento e como ele se conecta às atividades econômicas tradicionais do estado, como mineração e siderurgia.

O que explica o crescimento acelerado do ecossistema de BH

Minas Gerais abriga atualmente cerca de 1,4 mil startups e empresas de base tecnológica, empregando mais de 36 mil profissionais, segundo dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais. Só na capital, Belo Horizonte concentra mais de 550 startups, atuando principalmente em segmentos como edtechs voltadas à educação, healthtechs ligadas à saúde e ciências da vida, tecnologias de recursos humanos e fintechs do setor financeiro. O bairro São Pedro, berço da comunidade batizada de San Pedro Valley a partir de 2011, é considerado um marco histórico dessa trajetória, tendo se tornado símbolo de inovação e empreendedorismo digital na cidade ao longo da última década.

Um diferencial apontado por especialistas do setor é justamente a conexão entre as novas empresas de tecnologia e as atividades econômicas tradicionais de Minas Gerais. Diferentemente de outros polos brasileiros, em que a inovação aparece principalmente em aplicativos e startups puramente digitais, o ecossistema mineiro também passa por mineração, siderurgia, energia, saúde, construção civil e agronegócio. Essa característica ficou evidente durante o Fórum Brasileiro de Deep Techs, realizado em Belo Horizonte como primeiro capítulo do evento em 2026, que reuniu painéis temáticos sobre transferência de tecnologia, financiamento de ciência aplicada e políticas públicas voltadas à inovação, além de um showcase de startups com forte enraizamento científico no ecossistema local.

Minas Summit reúne mais de 11 mil pessoas em Belo Horizonte

Um dos principais eventos de tecnologia e inovação corporativa do estado, o Minas Summit, chegou à sua quarta edição em 2026, realizada nos dias 17 e 18 de junho no BeFly Minascentro, no Centro da capital mineira. A organização estimou a presença de mais de 11 mil participantes, 1,5 mil startups, 150 expositores e 400 palestrantes ao longo dos dois dias de evento, que somaram mais de 100 horas de conteúdo distribuídas em sete palcos temáticos. Entre os assuntos discutidos estavam empreendedorismo, cibersegurança, healthtech, ciência, tecnologia, siderurgia, mineração, indústria e corporate venture, refletindo justamente essa combinação entre inovação digital e setores tradicionais da economia mineira.

A escolha do BeFly Minascentro como sede do evento também carrega peso simbólico, já que o espaço fica na região central de Belo Horizonte e historicamente serve de palco para grandes eventos corporativos, culturais e institucionais da cidade. Durante os dois dias de Minas Summit, o fluxo intenso de participantes movimentou hotéis, bares, restaurantes, transporte por aplicativo e estabelecimentos comerciais do entorno, reforçando o papel de eventos de grande porte como propulsores da economia criativa e de serviços da capital mineira. Para 2026, a organização também already trabalha na programação de eventos complementares voltados a públicos específicos, como marketing digital e crescimento de produtos digitais, previstos para setembro na própria capital.

Políticas públicas municipais e estaduais de apoio à inovação

O fortalecimento do ecossistema de tecnologia em Belo Horizonte também conta com apoio direto do poder público. A Prefeitura mantém o programa PBH Inova, que desafia startups locais a proporem soluções para problemas específicos da gestão municipal, além de iniciativas como o BHLab, estrutura de governança que coordena programas de incorporação de inovações dentro da administração pública. Essa governança envolve órgãos municipais como a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, a Secretaria Municipal de Planejamento e a Prodabel, empresa de informática do município, todos voltados a facilitar a relação entre startups e desafios reais da cidade.

No âmbito estadual, o Governo de Minas Gerais também mantém programas de aceleração voltados especificamente a solucionar desafios da gestão pública por meio de tecnologia desenvolvida por startups locais, com aportes financeiros e mentoria personalizada durante períodos de alguns meses. Esse tipo de política pública, que conecta empreendedorismo tecnológico a desafios concretos de governos estadual e municipal, tem sido apontado por especialistas como um dos fatores que ajudam a explicar por que Belo Horizonte se consolidou como o principal polo de inovação fora do eixo São Paulo, conforme reconhecimento recente de rankings internacionais do setor de tecnologia.

Com eventos de peso já confirmados para o segundo semestre de 2026 e uma base consolidada de startups em diferentes segmentos, a expectativa de especialistas do setor é que Belo Horizonte continue avançando nas próximas edições de rankings internacionais de inovação, consolidando ainda mais sua posição de destaque entre os ecossistemas de tecnologia da América Latina.

Fontes: Diário do Comércio, Moon BH, Brasil Inovador