IPCA na Grande BH fica abaixo da média nacional em junho, enquanto preço médio dos combustíveis sobe pelo segundo mês seguido
Quem mora em Belo Horizonte sentiu um alívio parcial no orçamento em junho. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo na Região Metropolitana de Belo Horizonte perdeu força no mês e ficou abaixo das expectativas do mercado, também abaixo da média nacional tanto no resultado mensal quanto no acumulado do primeiro semestre. Ainda assim, o resultado positivo convive com pressões pontuais que preocupam o consumidor, como o reajuste da energia elétrica e a alta constante dos combustíveis nos postos da capital. A dúvida que fica para quem organiza as contas de casa é simples, esse alívio na inflação vai se manter no segundo semestre ou os sinais de pressão em energia e combustíveis indicam um cenário mais desafiador pela frente.
Por que a inflação caiu em Belo Horizonte mesmo com a luz mais cara
Segundo o economista Gustavo Almeida, dois movimentos opostos explicam o resultado de junho na Região Metropolitana de Belo Horizonte. De um lado, a queda dos preços da alimentação ajudou a conter o índice geral, com recuo quase quatro vezes mais intenso do que o observado na média nacional. De outro, a energia elétrica exerceu forte pressão sobre o grupo Habitação, refletindo tanto o reajuste tarifário quanto a permanência da bandeira amarela na conta de luz. Para o economista e professor universitário Fernando Sette Junior, a alta da conta de energia merece atenção redobrada por causa do peso desse item no orçamento das famílias, já que ele também influencia os custos de praticamente toda a cadeia produtiva local.
O comportamento dos combustíveis também ajudou a segurar a inflação na capital mineira. Embora a gasolina tenha registrado pequena alta no período, a queda do etanol contribuiu para manter o grupo Transportes sob controle, compensando parte da pressão vinda da energia elétrica. Para o segundo semestre, no entanto, a avaliação de especialistas é de que o cenário pode se tornar mais desafiador, já que fatores sazonais como o clima seco de inverno e o calendário de reajustes tarifários tendem a se repetir nos próximos meses. Esse equilíbrio delicado entre alimentos mais baratos e serviços essenciais mais caros deve continuar pautando o comportamento dos preços em Belo Horizonte até o fim do ano.
O que está acontecendo com o preço da gasolina na Grande BH
Apesar do alívio geral no índice de inflação, quem depende do carro sentiu o bolso mais apertado em julho. Levantamento do site Mercado Mineiro, realizado em postos de Belo Horizonte, Contagem, Betim, Ibirité e Santa Luzia, mostrou que o preço médio da gasolina comum passou de R$ 6,05 em junho para R$ 6,11 por litro no início de julho, alta de cerca de 1%. O etanol também subiu, de R$ 4,01 para R$ 4,03 o litro no mesmo período. A pesquisa reforça que a diferença de preços entre postos da região continua expressiva, o que faz da comparação antes de abastecer uma economia real para o motorista.
De acordo com o levantamento, a gasolina comum foi encontrada entre R$ 5,79 e R$ 6,89 nos postos pesquisados, uma variação de 19% entre o mais barato e o mais caro. Já o etanol apresentou disparidade ainda maior, chegando a 47,7% de diferença entre os postos, o que significa uma economia potencial de até R$ 1,57 por litro para quem pesquisa antes de encher o tanque. O diesel comum manteve-se estável, em média de R$ 6,49, enquanto o diesel S10 teve preço médio de R$ 6,89, com variação de 21% entre estabelecimentos. Esses números mostram que, mesmo em um cenário de inflação geral controlada, itens específicos do orçamento familiar continuam pressionando o consumidor mineiro.
Balanços do segundo trimestre e o que eles revelam sobre a economia mineira
Julho também marca o início da temporada de divulgação de resultados financeiros das grandes empresas com operação relevante em Minas Gerais, o que funciona como um retrato da economia estadual no período de abril a junho. Entre os destaques aguardados para as próximas semanas estão os balanços da Vale, fundamental para entender o comportamento do minério de ferro e da relação com a China, além de companhias como ArcelorMittal, Usiminas e Nexa Resources, ligadas à cadeia de aço e mineração que emprega milhares de trabalhadores no estado. Empresas do varejo e do setor imobiliário local, como a Multiplan, dona do BH Shopping e do DiamondMall, e a incorporadora Patrimar, também divulgam números que ajudam a entender o consumo e o mercado imobiliário da capital.
Outro nome que chama atenção nesse calendário é o Inter&Co, banco digital nascido em Belo Horizonte, cujo resultado deve trazer indicadores sobre crédito, inadimplência e a operação da instituição nos Estados Unidos. Para analistas do mercado mineiro, esse conjunto de balanços funciona como um raio-x setorial da economia do estado, abrangendo mineração, aço, energia, varejo, tecnologia e mercado imobiliário. Os resultados divulgados ao longo de julho e agosto devem ajudar a confirmar se a desaceleração da inflação observada em Belo Horizonte reflete uma tendência mais ampla de acomodação de preços ou se trata de um respiro pontual antes de novas pressões no segundo semestre.
Para o consumidor da capital mineira, a recomendação prática que fica desse cenário é acompanhar de perto os itens que mais pesam no orçamento, como energia elétrica e combustíveis, já que são justamente esses grupos que seguem pressionados mesmo com a inflação geral em trajetória mais favorável. A tendência é que o comportamento dos preços em Belo Horizonte continue sendo definido por essa combinação de alívio em alimentos e pressão em serviços essenciais ao longo dos próximos meses.
Fontes: Diário do Comércio, Metrópoles, Moon BH










